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Amigos: Um Oásis no Deserto

  • 7 de dez. de 2015
  • 6 min de leitura

Eu não fui instruída sobre a importância de possuir amigos. Talvez por não ter nascido em um lar cristão, esse direcionamento não tenha sido priorizado pelos meus pais. O fato é que hoje sei a falta que amigos sinceros fazem na caminhada da vida, sobretudo, na caminhada cristã. Mas Deus é tão sábio e cuidadoso com seus filhos que nos revelou em diversas passagens bíblicas, sobre a necessidade de possuirmos amigos sinceros, além de alertar a respeito das más influências. Em todas as fases da vida existe a necessidade dos laços afetivos, do compartilhar e da interação. Porém, a Palavra de Deus também nos orienta quanto aos amigos que devemos evitar.


Tanto os jovens como os mais maduros são chamados a observarem o seu círculo de amizades. E aqui vale ressaltar que o cristão não deve confundir amigos com colegas. Amigo é aquela pessoa mais chegada, em que se compartilha conflitos, conquistas e que está, na medida do possível, mais presente em sua vida. A amizade é construída ao logo do tempo e se fortalece nas dificuldades. Nossa máxima de sabedoria afirma que “Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Prov 17:17). E é dessa relação de amor, cuidado e proteção que a amizade deve se basear.


Já os colegas são pessoas que fazem parte do nosso dia a dia, que estão no ambiente escolar, no trabalho e até no ambiente virtual. O contato com o colega é transitório, variável e às vezes, o relacionamento pode até evoluir para uma relação mais sólida como a amizade.


Para abordar esse tema tão necessário de maneira eficiente, vamos dividir o conteúdo em dois textos. No primeiro, vamos ressaltar as advertências a respeito das amizades ruins que nos conduzem ao pecado e que a Palavra de Deus é clara em advertir quanto ao abandono de tais influências. No segundo, vamos mostrar o outro lado da moeda, por assim dizer, onde abordaremos exemplos bíblicos em que a verdadeira amizade é recomendada e vista como uma conduta louvável.


NÃO TE ASSOCIES

Muitos de nós, principalmente os jovens, pensam ser inatingíveis e julgam possuir a “cabeça feita”. Nada nem ninguém podem influenciá-los a pensar ou agir de maneira contrária. No entanto, nossa própria natureza caída é sempre inclinada para o mal. E quando nos associamos com quem pratica a maldade, facilmente somos levados a praticá-la também. E é por isso que Provérbios 22:24-25 nos adverte: “Não te associes com o iracundo, nem andes com o homem colérico, para que não aprendas as suas veredas e, assim, enlaces tua alma”. Em outra passagem lemos: “Não se deixe enganar: As más companhias corrompem os bons costumes” (1Co 15:33). Nós não somos nulos. Ou estamos influenciando, ou estamos sendo influenciados. Pensar de maneira contrária demonstra apenas ingenuidade.


Todavia, não devemos esquecer que fomos chamados para transformar esse século através da renovação da nossa mente (Rm 12:2) e a fazer discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar as coisas que o Mestre nos ordenou (Mt 28:19-20). Assim, o que estamos propondo não é um enclausuramento, mas começar a observar sabiamente o seu círculo de amizades, sempre fugindo daqueles “amigos” que não te aproximam de Deus.


Outra questão a se considerar é que tão importante quanto buscar um amigo fiel, é ser esse amigo. Devemos buscar aprender mais do caráter de Cristo e de sua sabedoria para aprendermos a ouvir, aconselhar e admoestar o nosso irmão. O verdadeiro amigo o ajudará na caminhada. Observe essa passagem: “Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos.” (Pv 27: 5-6). O amigo leal é aquele que coopera para seu crescimento espiritual. E essa deve ser a maior característica de uma boa amizade.


NA PRÁTICA...

1 – Evite o insensato!

Amigos insensatos vivem em busca de sua própria satisfação. Neles não há nenhuma instrução. Se andarmos com sábios seremos sábios, mas se vivermos entre os insensatos, o que seremos? O insensato pensa não haver Deus. Logo, não existem leis, alianças, ou qualquer tipo de proibição. Seu é o ventre, e a glória deles é a fama e só se preocupam com as coisas terrenas. Esse tipo de amizade não te auxiliará na caminhada cristã, visto que o insensato é incapaz de usar a razão até mesmo para adverti-lo, em caso de desvio do percurso. Acaso pode um cego guiar outro cego? (Pv. 14:7; Mt 15:14; Sl 53:1; Fp 3:19).


2- E o tolo

Andar na companhia do tolo pode resultar em duas coisas: seremos tolos ou faremos tolices – vez por outra. E essa afirmação se deve a mesma passagem que diz que aprenderemos as veredas daqueles com os quais caminhamos. As definições para tolo passam entre dizer e praticar asneiras e, ainda, alguém que não tem razão de ser. Somos chamados à busca pela sabedoria, pelo conhecimento elevado e fundamentado. E isso é inconsistente com a vida do tolo. A falta de inteligência do tolo, limita seu conhecimento e o faz agir como meninos agitados de um lado para o outro, levados pelas artimanhas dos homens e astúcia que o induzem ao erro (Pv 22: 24-25; Pv 13:20; Ef 4:14).


3 - O conselhos dos ímpios

Feliz é aquele que ouve os conselhos de pessoas sábias e tementes ao Senhor. Evitar seguir os conselhos dos ímpios é garantir um futuro feliz, onde tudo te sucederá bem. Não há como proferir bons conselhos, quando as regras de fé e prática não são reconhecidas. Não há comunhão da luz com as trevas. Dar ouvidos aos incrédulos, além de ser um claro sinal de falta de sabedoria, é uma demonstração de falta de amor pelo Pai. Sim, falta de amor. Já que quem não ama ao Senhor, não guarda suas palavras (Sl 1:1; 2 Co 6:14; Jo 12:48; Jo 14:24).


4 – O mexeriqueiro

A maioria de nós já passou por situações bastante constrangedoras devido aos amigos “linguarudos”. Geralmente não enxergamos a fofoca como um pecado. Porém, há sérias advertências quanto ao ato de falar maliciosamente uns dos outros. Fomos chamados a amar o nosso próximo e devemos admoestá-lo, mas jamais falar dele aos outros. Ainda que seu irmão tenha pecado, não devemos espalhar aos quatro ventos. E fofoca não é só transmitir tais fatos. É também ouvi-las do amigo maledicente. Infelizmente, amigos fofoqueiros é uma realidade em nosso meio. E ao identificar esse pecado em seu irmão, você deve adverti-lo e ajudá-lo a se manter distante de mexericos. E isso tudo, em amor. Tenha zelo pela alma de seu irmão e advirta-o. Faça como Cristo ensinou em Mateus 18:15-17, e caso seu irmão não te dê ouvidos, se afaste dessa má influência (Pv 11:13; Lv 19:16; Mt 18: 15-17).


5 – O criador de contendas, malicioso e caluniador

Uma das coisas que o Senhor abomina é o que semeia contendas entre irmãos. Isso é tão sério, que Deus usou o verbo abominar – odiar, detestar -, para julgar esse tipo de conduta. Devemos ter muito cuidado com esses amigos, para não sermos tentados nessa área. Outra característica que precisamos observar é o malicioso. Fomos ordenados a despojar-nos desse tipo de linguagem, assim como o ato de proferir mentiras ou caluniar o nosso irmão. Lembrando que a língua mentirosa também é citada como uma das coisas que aborrece ao Senhor. O nono mandamento nos proíbe de conceder falso testemunho. Quando faltamos com a verdade em relação às atitudes do nosso irmão, seja pelo motivo que for, estamos quebrando esse mandamento. Jesus preza pelo relacionamento sincero e de amor, e a mentira impede que essas relações aconteçam. Para que a amizade cresça é necessário a verdade. Nossas amizades devem refletir nosso relacionamento com Cristo, que É a Verdade. Lembre-se quem é o pai da mentira e fujam de amizades com os filhos dele (Pv 6:16-19; Cl 3:8-9; Ex 20:16; Jo 8:44; Jo 14:6)


Volto a dizer: o objetivo desse texto não é propor uma vida isolada de amigos. Ao contrário, é conceder direcionamento para que as amizades sejam construídas mediante essas advertências bíblicas. Mais uma vez ressalto a necessidade de ser o amigo fiel – que ama e se preocupa com a alma do seu próximo. E de influenciar aqueles que fazem parte do seu círculo de amizade, mas não seguem esses princípios listados.


Por causa da nossa natureza pecaminosa, é provável que eu e você caiamos em alguns desses problemas citados. Mas o cristão fiel, que busca viver a Palavra, reconhece suas fraquezas. Ele busca o perdão do Senhor e de seu irmão, e luta contra sua natureza caída. Portanto, estas advertências são referentes àqueles amigos que não enxergam o pecado como um pecado. Antes, justificam suas atitudes erradas nutrindo-as.

No próximo texto veremos os exemplos de companheiros de caminhada - ou de amigos -, que devemos nos associar.




Yone Dantas

Esposa do diácono Wilson França

Mãe de Wynnie, Willyan e Yzie

Formada em Jornalismo

Trabalha dentro de casa e também fora, como jornalista de mídia impressa

Membro da Igreja Presbiteriana de Aracaju

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