Amigos: Um Oásis no Deserto - Parte II
- 14 de dez. de 2015
- 5 min de leitura

A bíblia está recheada de narrativas impressionantes. Nela, podemos encontrar exemplos bons e ruins. Muitas descrições nos mostram tão claramente onde determinada atitude pode nos levar, que conseguimos aprender valiosas lições apenas com a leitura – e, claro, através da ação do Espírito Santo. Quando penso em amizades sinceras, lembro-me de Jônatas e Davi, Noemi e Rute, Jesus e seus discípulos e Natã e Davi. Claro que têm outros exemplos, mas esses sempre nos lembram como é importante observarmos a fidelidade do nosso amigo para com Deus. E é esse o primeiro ponto que devemos avaliar para nos unirmos com companheiros de caminhada.
A ideia desse texto não é apenas instruir quanto à escolha dos amigos, mas principalmente incentivar que você seja esse amigo leal. Aquele que ama em todo o tempo, e que nos momentos mais difíceis se faz presente (Pv17:17), mostrando através de suas ações o amor de Deus. Outra característica de um bom amigo é o amor que ele tem por você. Veja que o amor deve ser ardente e não fingido, amando de coração, sem fingimento (1 Pe 1:22). Vemos claramente esse tipo de amor na relação sincera de amizade entre Jônatas e Davi.
TEMOR DO SENHOR O texto diz que a alma de Jônatas se apegou a de Davi (1 Sm 18:1) e por isso, ele desenvolveu tamanha fidelidade para com o futuro rei. Observamos que em diversas ocasiões Jônatas demonstrava zelo com a vida de seu amigo, ajudando-o inclusive a livrar-se das mãos de seu pai, Saul. Em outro momento, Jônatas fortalece a esperança de Davi em Deus (1 Sm 23:15-18), lembrando-o da promessa do Senhor para com ele (a que ele reinaria após Saul). Observe que Jônatas – por sua linhagem -, seria o próximo rei. No entanto, ele se submeteu a soberania de Deus, entendendo que Davi, seu amado amigo, era o ungido do Senhor.
Jônatas é um exemplo de amigo que devemos almejar ser. Ele cuidava, exortava, animava e se submetia à vontade de Deus. Ele era fiel a Davi porque primeiramente era fiel a Deus. Jônatas entendia o propósito de Deus na vida de seu amigo – Rei, e o tinha como um irmão. “O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão” Pv 18:24. Em sua morte, Davi lamenta sobremaneira, reconhecendo sua amizade e irmandade: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo!” (2 Sm 1:26 a-d). Tempos depois, Davi também demonstra sua amizade e amor cuidando do filho de seu amigo querido. Uma amizade protetora e cuidadosa, que se estendeu até sua descendência.
COMPANHEIRO NA ADVERSIDADE Acredito que a maioria conhece a história de Rute e Noemi. É uma história de amor, cumplicidade e profunda amizade, que floresceu em meio à adversidade. Ambas perderam os maridos, ambas estavam em uma terra estranha e, sem recursos. Noemi despede suas noras, mas Rute insiste em segui-la, declarando: “Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1:16). Rute estabeleceu sua meta: seguir o mesmo caminho que a sogra tomasse. Elas estavam indo para o mesmo lugar, amando o mesmo Deus, possuindo o mesmo objetivo – recompor a vida -, além de uma apoiar à outra. Em Eclesiastes somos lembrados que é “Melhor serem dois do que um,...Porque se caírem, um levanta o companheiro”, e adverte, “ai, porém, do que estiver só; pois caindo, não haverá quem o levante” (Ec 4:9-10). Não é difícil cairmos durante a caminhada da vida, não é mesmo? E como é bom poder contar com uma palavra de encorajamento, ânimo e ajuda para levantar e continuar caminhando. É tão bonito ver o cuidado do bom Deus para conosco, através das palavras de um amigo.
Mais tarde, Noemi também demonstra sua amizade e lealdade, aconselhando-a em todo proceder para com o seu resgatador. Rute dá ouvidos aos sábios conselhos de sua sogra e acaba casando-se com Boaz. A amizade dessas duas mulheres – nora e sogra - é um belo exemplo para nós ainda hoje, onde a experiência dos mais velhos é desprezada, dando lugar à falsa sabedoria juvenil. A história de amizade entre elas deve nos fazer almejar duas coisas: ser sábia para aconselhar e humilde para seguir os conselhos. Lembrando que ambas amavam o mesmo Deus e seguiam os mesmos objetivos. Lembrem-se desses dois pontos ao seguir as recomendações de seus amigos. Perguntem-se: Ele ama ao Senhor? Ele busca crescer diariamente na graça e no conhecimento de Cristo? Se a resposta for sim, faça como Rute, confie na sabedoria dos mais experientes!!!
VÓS SOIS MEUS AMIGOS... Tem um livro sobre criação de filhos chamado: Pais Fracos, Deus Forte, de Elyze Fitzpatrick e Jessica Thompson, que diz que só há uma história realmente boa. Todas as outras são representações – boas ou ruins -, da história de um Príncipe que foi enviado por seu Pai para salvar seus inimigos. Estou lembrando disso, para dizer que a única história de amizade sincera e amorosa é a de Cristo com seus amigos. Todas as demais são apenas reproduções dessa verdadeira narrativa de amizade. Algumas são boas, outras, nem tanto.
Certa vez, Jesus disse: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 15:14). A vontade do Pai é que nos amemos uns aos outros. É que recontemos a verdadeira história de amizade e fidelidade, ensinando qual é a boa perfeita e agradável vontade de Deus. Temos que contar e recontar a verdadeira história por todo o mundo e para toda criatura (Mc 16:15). A história do amigo mais amoroso, mais fiel, mais obediente e que deu sua vida em favor daqueles que o Pai o enviou. Jesus é o amigo que nos leva até Deus, que nos reconcilia e nos ensina a amá-lo. É esse tipo de amizade que estamos enfatizando que devemos procurar e que é um verdadeiro oásis. Jesus sabia como era importante ter amigos. Ele escolheu alguns homens, fez amizades com algumas mulheres, andou com fariseus. Ele ainda aconselhou prostitutas, perdoou adúlteras, converteu cobradores de impostos, sarou doentes, acudiu aflitos, se impôs diante de reis, amou os servos e em todas essas coisas, Ele estava escrevendo a mais bela e verdadeira história de amizade.
Jesus não precisou viver no deserto, longe de toda a maldade, para ser santo e incorruptível. Ele não precisou desprezar aqueles que não entendiam ou criam nas palavras que ele proferia. Ele apenas continuou amando, ensinando e escrevendo a verdadeira história, cumprindo fielmente os propósitos de seu Pai. Assim como Jesus, devemos continuar a amar, pregar, acudir, perdoar, aconselhar, se impor e reproduzir, da melhor maneira possível, a única boa história de amizade.
Continua...

Yone Dantas
Esposa do diácono Wilson França
Mãe de Wynnie, Willyan e Yzie
Formada em Jornalismo
Trabalha dentro de casa e também fora, como jornalista de mídia impressa
Membro da Igreja Presbiteriana de Aracaju

















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